sexta-feira, 6 de junho de 2014

Ideia Inusitada

 Tudo começou naquela manhã. Uma manhã que, como todas as outras, parecia normal: eu acordo, tomo banho, me arrumo, e vou para a escola. Mas nesse dia, foi diferente.
Depois de fazer todo o ritual diário(acordar, tomar banho e sair), vou para o ponto de ônibus, esperar o ônibus que eu pego todo o dia para ir pra escola, entro no ônibus, passo o cartão de estudante, sento e espero chegar e depois saio do ônibus, no ponto em frente a escola. Vou andando em direção ao portão. De vez em quando, eu chego muito cedo, então o portão está fechado, e essa manhã não foi diferente. Cheguei em frente ao portão, e cumprimentei Murillo, meu colega de classe – e amigo também – . Ele está conversando com um amigo dele, o Lucas. Não é que eu não goste dele, mas , só não converso muito com ele – e nem com as pessoas, fazendo parecer que sou anti-social – . O cumprimento também.



– Eae, beleza?
Disse eu, me referindo à Lucas.
– Beleza, e você? – Respondeu ele–
– Tranquilo...
– Aí, Vitor, ta afim de fazer uma coisa maneira hoje? – Perguntou Murillo, em um tom de voz meio insano –
– Dependendo do que for, pode ser. – Respondi, sarcasticamente –
– Sabe aquela casa abandonada, que tem logo aqui nessa rua? – Murillo se referia à uma velha casa amarela, com grades amassadas e enferrujadas nos portões, quintal sujo com as folhas caídas de uma árvore morta.
Geralmente, se você passa pela rua, não vê nada demais, mas, quando passa em frente a casa, percebe uma grande diferença.
– Sim, sei – Respondi, depois de um tempo tentando saber do que ele estava falando – O que tem ela?
– Vamos pular lá dentro? Não tem ninguém morando lá! Topa?
– Mas fazer o que lá? O portão já vai abrir, e se demorarmos muito, não vamos poder mais entrar. – Confesso que estava em dúvida, se iria ou não. Mas por impulso, aceitei–
– Ah, sei lá, só pra ver como é lá, e sei lá, se tem alguma coisa legal. Vamos po, vai ser maneiro!
– Ta bom – respondi, secamente –
– Topa ir também, Lucas? – Perguntou Murillo, referindo-se ao amigo –
– Huh, ta bom. – Disse ele, com uma expressão meio confusa.
 Começamos a andar em direção a rua, e, não muito tempo depois, vemos Pedro, um outro colega meu(e amigo também), caminhando de cabeça baixa, como sempre faz quando está andando sozinho. De repente, Murillo começa a acenar para ele, e ele vem andando em nossa direção.
– Pra onde vocês estão indo? – perguntou Pedro –
– Vamos matar aula – Respondi, com um tom meio bobo –
– Cara, é sério, para com isso, isso já ta virando um vício – respondeu Pedro –
– Ele ta zoando –respondeu Murillo–, nós estamos indo em uma casa abandonada. Quer vir com agente?
Pedro concordou com um aceno de cabeça. Murilo e Lucas foram andando na frente, para mostrar o caminho(apesar de ser meio desnecessário, porque era uma rua em linha reta).
– Pra que vocês vão em uma casa abandonada? – perguntou Pedro, com um tom meio questionador – Vão caçar fantasmas? –sarcasticamente perguntou, interrompendo minha fala–
– Sei lá pra que agente vai, pergunta ao Murillo.
Naquele ponto, já estávamos uns 5 metros em frente a casa: ela era sombria, as arvores mortas davam um tom de filme de terror. Portão adentro, não conseguíamos ver o chão, já que era coberto por folhas amarelas, que caíram à muito tempo das arvores.
Chegando em frente a casa, tirei a mochila das costas, e joguei-as no chão, de qualquer jeito. Ambos fizeram o mesmo. Tirei a parte de cima do uniforme(uma blusa branca com uma listra azul no meio, fazendo referencia à prefeitura da cidade), e a joguei em cima da mochila, já que eu estava com uma outra blusa por baixo. Murillo também fez o mesmo.
Pedro e Lucas trocaram um ou dois olhares, como se estivessem se perguntando o porque de estarmos fazendo isso.
–  Vou pular primeiro – Afirmei, enquanto Murillo ajeitava a gola da camisa.
Comecei a escalar o portão de ferro enferrujado de qualquer maneira, fazendo um barulho ou outro. E como o portão era bem pequeno, foi bem fácil de pular. Pulei para o outro lado, todo desabestado, enquanto Murillo fazia um tom de alerta pra mim.
– Você fica aqui vigiando. Se alguma coisa acontecer, você avisa! –disse Murillo, referindo-se a Lucas. –
Murillo escalou o portão com mais facilidade, fazendo menos barulho que eu, e pulou em cima de um monte de folhas secas, fazendo um pequeno barulho. Pedro veio atrás, e caiu em pé em cima das folhas.
Até esse ponto, já não havia mais volta. Andamos em direção a porta. A janela da frente estava quebrada, porém coberta com tabuas de madeira. A fechadura da porta estava quebrado, mas o trinco estava estranhamente brilhoso.
Tentei abrir a porta empurrando-a, mas, sem vitória. Eu não sei porque, mas, naquele momento me veio uma vontade de bater na porta – e foi o que eu fiz, mas, novamente, sem nada acontecer.
O terreno no qual a casa fora construída, era grande. A casa ficava bem no centro, deixando espaço para dois pequenos corredores nas extremidades. Murillo foi pelo corredor esquerdo, e eu e Pedro pelo o direito.
Não havia nada demais desse lado, além de um enorme buraco escuro e sem luminosidade na parede da casa. Botei a mão no bolso, a procura do meu celular para usa-lo como lanterna. Estava pensando em pular, e pra falar a verdade quase pulei, mas primeiro queria ter certeza do que tinha lá dentro, usando uma lanterna. Quando eu tiro o celular do bolso, vejo um borrão branco no meio daquela escuridão que era dentro da casa, e que aos poucos, vem se aproximando em minha direção. De repente, vejo a figura de um homem de aparência velha, com o rosto sujo, uma grande barba branca, e camisa branca também, porém encardida –quase um mendigo–
– O que que é isso, amigo?! O que é isso, filho da mãe?! –gritava o velho, fazendo gestos com o braço–
Mil coisas se passavam pela minha cabeça: “e agora, o que eu faço? e agora, será que eu corro? Como eu vou correr e escalar o portão com o celular na mão? Eu posso fugir com o celular na boca...”
Não sabia o que fazer, estava desesperado. De repente, ponho o celular no bolso, e começo a correr na direção oposta, pulo em cima do portão, e quando eu fui ver, já estava do lado de fora. Peguei minha mochila, e corri como se fosse a última coisa que me restava – e o velho praguejando, gritando e tudo mais –
Quando eu percebi, estava em frente ao portão da escola, bufando como um touro, pelo cansaço(quando menor, eu tinha crise de asma, então qualquer coisa que eu me esforce muito já é motivo de cansaço).
Largo minha mochila no chão, e olho em direção a casa. –Eu não tinha pensado em nada: e o Murillo? E o Pedro? E o Lucas? – Vejo o Pedro correndo em minha direção, também carregando a mochila dele pela mão, cansado.
Murillo e Lucas agora estavam do lado de fora do portão, falando com o velho. Murillo pega a mochila que estava no chão, e também o seu uniforme – e também o meu, que tinha esquecido lá –, e vem caminhando em direção a escola. Lucas vinha ao seu lado, falando com ele.

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