– Venham, sigam-me todos vocês! - disse o trovador, dirigindo-se aos que estavam de pé.
– Quem é você, e por que deveríamos confiar em um bardo desconhecido? - disse Buryür, ajudando Ruprest a se levantar do chão, pois estava inconsciente.
– O... o que aconteceu? Onde está aquele homem? - disse Ruprest, confuso - Quem é o bardo?
– Isso não importa agora, minha magia não vai durar por muito tempo. Se quiserem respostas, me acompanhem.
Todos começam a seguir o homem, que carregava o sacerdote preso às cordas mágicas do instrumento. Após adentrarem a cidade carregando o seu possível destruidor, todos os aldeões olhavam e apontavam para o grupo, sussurrando coisas ao seu respeito. Quando aproximaram-se do palácio real, um guarda os intercepta, mas logo é interrompido pelo bardo, que disse: " Este em minhas cordas é o sumo-sacerdote de Megalokk, pode vir a ser uma ameaça. Exijo falar agora com o rei!". O clima de tensão e o silêncio reinavam o momento, até que foram cortados pelo rei:
– Vocês foram os responsáveis por toda a baderna no portão leste? Apresentem-se!
– Sou Buryür, senhor. O caçador. Anão com orgulho!
– Ruprestson, filho de Ruprest. Eu sou um atirador.
– Liliel, a feiticeira, ao seu dispor.
– Sou Skuld, senhor. Uma elfa.
– Meu nome é Hirohito, e não te importa quem eu sou. Quero apenas sair daqui! - Hirohito vira as costas para o rei e vai andando em direção ao portão do salão, porém é impedido pelos guardas.
– Calado, samurai! Você não sai daqui até segunda ordem. Palavras insolentes podem gerar terríveis consequências! Agora me diga, bardo, os motivos de todo o alvoroço do lado de fora. E quem é esse homem que carrega em suas cordas? - disse o rei, curioso.
– Serei o mais breve e direto o possível, majestade. Este homem é o sumo-sacerdote, a mais terrível espécie de magos, de Megalokk, o senhor das bestas. Veio até sua cidade para destruí-la, já que cultuam a outros deuses. Eu e meus companheiros o impedimos de realizar tal ato, e por isso, ó rei, peço um bom quarto para nós investigarmos sobre o mago e suas tendências.
– Tudo bem. Consiga algum quarto para o bardo e seus companheiros - disse o rei, para um de seus serventes.
– Certo, quem é esse homem?
– É o que vamos descobrir. - disse o bardo - Todos vocês contribuíram o deixando inconsciente, então tem o direito de decidirem o que faremos com ele.
– Por mim - Buryür se pronuncia - já teríamos matado esse cara há muito tempo! Que o matemos já!
– Cala a boca, anão. Temos que interroga-lo para descobrir mais sobre ele, Megalokk e tudo o mais. Ele não parecia muito consciente de seus atos lá fora. - disse Skuld, que tirava sua capa, mostrando suas asas(elfos-do-céu são uma espécie de meio-elfos que tem descendências draconianas, por isso as asas).
– Não vou deixar que uma elfa com asas me dê ordens! - Buryür saca sua balestra, pronto para atirar, quando Ruprest põe a mão em seu ombro:
– Se controle, anão! Todos temos uma opinião. Que a exponhamos e discutamos sobre elas como gente civilizada! Eu acho que deveríamos matar ele. O homem quer destruir a cidade, ele é um risco para a segurança de todos!
– De fato - disse Lili - não podemos nos precipitar, e qualquer movimento errado pode pôr em risco a vida de to... - E antes que pudesse terminar a frase, Hirohito desembainha sua espada e corre em direção ao sacerdote gritando "Morte ao demônio!"
E com um golpe da espada do samurai, o demônio acorda de repente e arrebenta as cordas enfeitiçadas do bardo, surpreendendo a todos da sala.
– Idiota, o que você fez?! - disse Armithayl.
– Vocês enfraqueceram este corpo, insolentes! - o demônio pronuncia algumas palavras estranhas, e uma espécie de energia negra sai de sua boca, fazendo-o cair inconsciente no chão, e entra diretamente no bardo, que imediatamente pula a janela do quarto.
– O que foi isso? Eu sabia que não podíamos confiar nele, Ruprest! E nem em ninguém dessa sala! - disse Buryür, enfurecido.
– Reclamar não vai adiantar agora, anão inútil! Corram atrás dele! - Skuld abre suas asas e sai do quarto voando atrás do bardo, que corria pelo meio da rua.
Liliel levita com sua magia, e caminhando pelo ar, vai atrás de Skuld. "Eu vou pular!", pensou Hirohito, confiante. E com um salto janela afora, cai perfeitamente em pé na calçada da rua do palácio; enquanto Buryür, depois de perceber que Ruprest havia saído do quarto há tempos, resolve pular a janela como Hirohito, porém este, como era muito pequeno, não consegue pular alto o suficiente, tropeçando na janela. "Pelas barbas de Ninb!", dizia Buryür ao cair, quando algo o impede de pousar em cima de Hirohito: Liliel havia o segurado no ar, centímetros acima do samurai.
– Solte-me, solte-me já, feiticeira! Ninguém segura um anão! - dizia Buryür, se debatendo inutilmente nos longos e esticados magicamente braços de Liliel - Me ponha no chão!
– Dá um troco, anão! Precisamos pegar aquele homem, e você não chegaria lá a tempo! Skuld, carregue Hirohito, nós precisamos parar o bardo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário