"Estou vendo ele! Está no telhado da casa ao lado do estábulo!". O grupo o avista indo em direção à praça central, pelos telhados.
– Rápido, desça próximo aos telhados e me deixe lá! Vou dar um jeito nesse maltrapilho! - diz o anão, que de alguma forma conseguiu acender um charuto em pleno voo.
Liliel solta Buryür em uma altura favorável, fazendo-o cair em pé em cima da taberna, e logo lançando um virote no pé do bardo, o fazendo cair rolando no telhado. "Pode vim, cretino! Tem muito Buryür pra você hoje!" grita o anão, soltando altas gargalhadas, quase imperceptíveis pelo alvoroço da feira da praça central próximo dali.
O bardo, que quase havia rolado telhado abaixo, se estabiliza e faz um desenho em uma chaminé, e de repente, três homens com capas e capuzes vermelhos surgem ao longe. Skuld solta Hirohito mais próximo ao bardo, que começa a fugir em direção aos três ninjas, que corriam para cima do anão.
– Vocês não vão conseguir o que querem,o que quer que seja! Mexeram com o anão errado! – Mirando firmemente em um dos ninjas, Buryür atira e acerta a perna de um deles, que cai no chão, ficando para trás – Feiticeira, atinja o caído! – Então Liliel ouve o anão e lança bolas de fogo contra o ninja, que desaparece como fumaça.
– Ei, você! Não corra de mim, poupe sua energia! Eu sou mais rápido! – disse Hirohito, alcançando o bardo e os outros ninjas. Saca sua espada e os golpeia em pontos vitais, transformando-os em fumaça como o outro, com exceção do bardo.
– Insolente! Você realmente não aprende a lição, não é?! Não entre no meu caminho! – O bardo toca medonhas notas em seu alaúde, fazendo Hirohito cair no chão agonizando.
“Deixa ele em paz!” Skuld surge voando em um dos lados do estábulo, gritando para o bardo. As palavras saem como balas de canhão de sua boca, empurrando-o para trás.
– Disse suas ultimas palavras, elfa! E todos vocês irão cair agora! – disse o bardo, que rindo descontroladamente, toca o seu alaúde, deixando todos inconscientes.
– Armithayl! O que estás fazendo, irmão? – disse um homem que estava no chão próximo ao estábulo, aparentemente um guerreiro – Por que fazes isso com essas pessoas?
– Calado, verme! Ou irá cair como eles! – o bardo tocava o alaúde, dando risadas insanas e com os olhos excessivamente arregalados – Em breve essa cidade cairá, e não há ninguém que possa me impedir!
– Chega! Tu estás fora de ti! – disse o homem, no exato momento em que Liliel cai inconsciente ao seu lado – O que fizeste com essa gente?!
O estranho homem entra em uma casa ao lado do estábulo, arrastando Liliel para dentro. E enquanto o bardo insano tocava o alaúde, Ruprest surge atrás dele e o imobiliza com um golpe no pescoço.
– Solte-me, insolente! Não sabe com quem está mexendo! – O bardo se debatia, até parar inconsciente como os outros.
“Agora sobra pra mim limpar essa bagunça...”
Após tirar todos do telhado do estábulo, Ruprest carrega-os um por um para dentro da casa ao lado, onde estava homem, sentado resmungando algo para si mesmo, e Liliel, inconsciente. “Rápido, ajude-me a carregá-los pra dentro!” Dizia ele, para o homem disperso no sofá.
Quando todos sete já estavam alocados dentro da pequena casa, entra quem parecia ser o dono dela, e também o dono do estábulo. “Quem são vocês? O que querem de mim?!” Gaguejava o velho careca com um grande bigode grisalho. – Acalme-se, bom senhor – disse o homem, que agora estava de pé – Em meio à uma confusão, fizemos sua casa de abrigo. Pedimos caridosamente para que nos deixe aqui até todos acordarem; mas caso não seja de seu agrado, iremos embora. – “Fiquem aqui até eles acordarem. Depois disso, saiam!” Disse o homem, ainda com muito medo – Fico muito agradecido pela sua generosidade, bom homem. Com certeza será recompensado por isso! – E o velho sai assustado pela porta, em que quase não entrou.
– Qual é o seu nome? Quem é você? E de onde conhece aquele traidor? – dizia Ruprest, inquieto, andando de um lado para o outro.
– Acalme-se. Estou tão surpreso quanto você, ladino. Meu nome há tempos fora esquecido, chame-me de Skyrom. Sou um paladino da ordem de Azgher, e Armithayl vez ou outra acompanha-me em missões. Ele não é servente ao deus do Sol, mas presta serviços à ordem, devido à sua destacada habilidade em combate. Viemos para essa cidade seguindo o rastro de Megalokk, o senhor de todas as bestas. Ele está fazendo uma limpeza religiosa por todo o Reinado, e seu exército está crescendo. Viemos a sós para Sambúrdia e nos separamos para encontrar algo. E quando chego aqui, me deparo com Armithayl fora de si, atacando seus amigos. Esse definitivamente não é ele, temos que dar um jeito nisso.
– Entendi. Já que você lida há mais tempo com isso, quando eles vão acordar? – perguntou Ruprest, agora mais calmo – Meu nome é Ruprestson, mas me chame de Ruprest.
– Essa magia não é letal, seus amigos acordarão logo. O que nos resta agora é esperar. Se me permite perguntar, de onde você veio? Conte-me sua história. – Ruprest senta-se ao lado do paladino, e começa a falar com um ar sombrio:
– Há tempos, minha aldeia foi dizimada por uma legião de sulfures, de demônios. Mataram a todos, com exceção minha, que consegui fugir. Não roubaram nada de lá, e após a chacina, atearam fogo em todas as casas. A partir daí, dei o meu jeito para sobreviver. Roubava pra poder comer, e então descobri o que eu faço de melhor. Tempos depois, quando os reencontrei, matei um por um.
“Fascinante! Nada mal para um humano!” Disse Buryur, que havia escutado parte da conversa. “Quem é você? E por que estamos nesse lugarzinho apertado, pequeno até pra mim?” Disse o anão, que parecia desorientado.
“Hugh... o-onde estamos?” Liliel levanta, e ainda tonta, esbarra em uma mesa cheia de escrituras, aparentemente negócios do estábulo. Antes que pudesse perguntar alguma coisa, Hirohito e Skuld também levantam. “Onde está aquele cretino? Ele vai ver só, vou acabar com a raça dele!” dizia o samurai, agitado. “Cala a boca, idiota. Ele está desmaiado e amarrado, não vê?” respondeu Skuld, apontando para um canto da parede onde estava o bardo, amarrado com uma corrente.
– Ele está inconsciente, mas não por muito tempo. Se preparem para o que vier, pois não sabemos o que acontecerá quando o bardo acordar. – disse Ruprest, que logo pôs a mão em sua adaga.
– Se eu vou me preparar ou não, não importa. Eu quero saber de uma coisa: quem é você? É o dono dessa casa? Se não, sai logo daqui! Isso é assunto nosso! – Hirohito referia-se ao paladino
– Eu não vou falar duas vezes, seu idiota – Skuld chuta entre as pernas de Hirohito – Fica igual gente, pelo menos agora. Esse cara nos ajudou na batalha lá em cima. Aparentemente estaríamos mortos sem a ajuda dele, não é?
– Sim, possivelmente. Eu o distraí enquanto o ladino o deixou inconsciente, mas isso não importa agora. Vocês devem saber apenas que ele está fora de si. É meu amigo, nós somos da mesma ordem, e estamos à procura de Megalokk. Chame-me de Skyrom, o paladino.
– Ele está tomado por alguma força maligna, talvez um espírito – disse Liliel, aproximando-se do bardo – Talvez eu possa curá-lo. – ela começa a dizer algumas palavras em línguas conhecidas apenas por Skyrom: era o idioma sagrado dos grandes gênios.
O bardo de repente acorda, se debatendo inutilmente nas grossas correntes, gritando “Não podem me parar, seus vermes! Acham que vão me impedir? Estão enganados!” Liliel não para de pronunciar as palavras, até que Skyrom se junta à ela para fazer o mesmo. “Pare de resmungar, seu cretino! Não vê que é o fim da linha pra você?” disse Buryur rindo, enquanto acendia um charuto.
Alguns segundos depois, a mesma energia que havia entrado no bardo sai pela sua boca, e sai janela a fora. “O que aconteceu? Onde está o demônio? Skyrom, que bom que nos encontrou.”
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