quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A Grande Aventura [PARTE 8]

Após explicar a situação para Armithayl e os outros, o grupo decide ir para uma estalagem, pois estava escurecendo. Ao chegar, sentam-se numa grande mesa onde cabiam todos quase confortavelmente. Havia pouca gente na taberna: o taberneiro, é claro, que despreocupado e pensativo lavava uma caneca; dois elfos(aparentemente bêbados) sentados à mesa em uma das janelas conversando sobre todo o alvoroço no começo do dia; e um homem que roncava, com a cabeça caída por cima da mesa. Havia também uma caixa escrito “Vende-se” em um vermelho forte, com um pouco de feno dentro, e alguns filhotes de cachorro dormindo com o silencio do local. Liliel responsabiliza-se por ir até o balcão fazer os pedidos, enquanto todos conversavam.

–  Fim de tarde agitado esse, não? – Disse ela ao taberneiro, que desvia a atenção pra ela.
– Está brincando comigo, não é? – O taberneiro riu. – Diga qual é o seu pedido, mocinha.

Liliel começa – Eu quero dois canecos grandes de cerveja vermelha para o anão, uma dose de aguardente para o jovem de cabelos brancos, um copo de água para o de armadura(referia-se a Skyrom), e duas taças de seu melhor vinho: um para mim, e o outra para a elfa com a capa verde-escuro. O bardo e aquele bonitão de capuz não vão querer nada por hora. Ah, e mais uma coisa: quanto custa um cachorrinho daqueles? Eu quero ficar com um! – terminou ela, apaixonada pelos filhotes.
– Custam cinquenta moedas de prata cada um, mas a bela moça pode levar por vinte e cinco. Pegue o seu e me pague tudo no final da noite. E deixe as bebidas comigo, eu levo na mesa para vocês, seja lá o que forem! – respondeu o taberneiro, imensamente satisfeito com a quantidade de pedidos.



– Acho que é uma bela hora para nos conhecermos melhor! – disse Liliel, que havia sentado na cadeira, acariciando o pequeno cão – Esse aqui é Sirius, meu novo cãozinho.
– Por que eu iria querer conhecer uma elfa? Mas que bobagem! – disse Buryur rindo, como se Liliel tivesse contado alguma piada. Depois começou a fazer caretas para o pequeno cão.
– Ela não é uma elfa – disse Skyrom – É uma qareen. Não é mesmo? – ele olha pra ela, aguardando a resposta.
– Sim, sou uma qareen. Espertinho você, como sabe? – disse ela, como se tivesse sido pega em uma travessura.
– Eu notei a ligeira mudança de tom dos seus cabelos, e também a sua tatuagem no peito... Não é realmente uma tatuagem, não é? É a Marca de Wynna, a deusa da magia. – respondeu o paladino – E você também fala a língua dos gênios. Hoje em dia é uma língua quase morta, não é qualquer um que sabe.
– Uma qua o quê? – disse Buryur, claramente sem entender o que significava – Então você não é uma elfa?
– Sou metade elfa, anãozinho. Metade elfa e metade gênio. Não me lembro de como eram meus pais, mas sei que um deles era elfo, e outro um gênio, é claro. Eu vim de muito longe pra começar uma nova vida: uma cheia de bons feitos. Eu amo ajudar as pessoas, faz parte da minha natureza qareen. Não que eu tenha um passado sombrio ou algo do tipo. Na verdade ele era chato. – enquanto ela falava, o cãozinho lambia seu queixo.
– Uma elfa com natureza mágica! Piorou mais ainda! – disse o anão, indignado – Olhe: eu sou um anão e você uma elfa, a natureza não quer que andemos juntos! Então é melhor um de nós seguir o caminho da roça, porque isso não vai dar certo!
– Cala a boca, anão estúpido – Skuld interrompe o discurso de Buryur – Para de ser idiota. Além do mais, ela pagou uma bebida pra você! – o anão olha para Liliel, que pisca pra ele.
– Controlem-se todos! – disse Skyrom, com sua voz autoritária. Os cachorros na caixa agora acordam e se agitam – Precisamos ficar unidos em meio a esse caos! Tudo o que não precisamos é uma guerra entre nós! Anão, esqueça sua tradição e sua “rincha natural” com os elfos! E isso serve para todos! Rótulos só irão nos atrapalhar!

Quando Skyrom termina de falar, o taberneiro chega com todas as bebidas em uma bandeja fosca, manchada com algo marrom no meio. “Duas cervejas para o anão; aguardente para o jovem senhor; vinho para as senhoritas; e água para o senhor aqui!” disse ele, terminando de entregar todas as bebidas. “Fiquem à vontade!”

– Que seja então! Mas saibam que eu não fui com a cara de vocês, elfas! – disse o anão. – Meu nome é Buryür, eu sou de Doherimm, é claro. Eu vim para Sambúrdia em busca de informações que me levassem ao dragão, só que meu caminho foi desviado por aquele demônio maldito!
– O dragão. – pronunciou-se Armithayl – Talvez ele esteja de alguma forma ligado a Megalokk, mas não temos nada concreto. Eu sou devoto de Tanna-Toh, a deusa do conhecimento. Hora ou outra saio em batalhas com Skyrom, meu velho amigo. Nós lutamos lado a lado a favor de Azgher, o senhor do Sol e da luz.
– Eu sou um paladino de Azgher, como disse Armithayl. Sou Skyrom, e creio que isso seja o suficiente por hora.
– Sou Skuld, e na verdade sou uma elfa-do-céu. Para os estúpidos que não sabem quem nós somos, – ela olha bruscamente para o anão –  contarei uma breve historia: Reza a lenda que há tempos, a rainha dos elfos foi sequestrada por um dragão, e com ele foi obrigada a ter filhos. Outras versões dizem que ela o fez por vontade própria, mas isso não importa. Seus descendentes eram elfos capazes de voar, por conta das grandes asas. Eu não me lembro de onde eu vim ou de como eu vim parar aqui. Só sei que acordei no meio da estrada, há três dias daqui. Na verdade, Hirohito me acordou.
– Isso mesmo! – disse Hirohito, após tomar sua bebida – Bem, deixe-me começar do começo. Há muito tempo, o meu vilarejo foi riscado do mapa por um dragão estúpido. Eu fui o único sobrevivente do incidente, e logo após isso eu fui ate o Clã das Montanhas, um clã de samurais do extremo leste, e treinei desde os meus oito anos de idade.  Descobri mais coisas sobre o dragão que matou a minha família. Ele se chama Edward, e eu soube que ele andava por essas áreas, então eu estava vindo para Samburdia averiguar, quando eu encontro uma garota jogada no meio da trilha. É claro que iria acordá-la!
– Edward? Mas que nome mais imbecil para um dragão! Aposto que essas informações são falsas! – disse Buryur, inconformado com o nome do grande dragão.
– Não são, mestre anão. – disse Skyrom – Por mais estranha que seja essa informação, ela também chegou à ordem. Como Armithayl disse, ele pode estar ligado a Megalokk.
– Desculpa atrapalhar a conversa – diz Ruprest, sarcasticamente – Mas alguém sabe o que aconteceu com aquele demônio que nós prendemos e deixamos no castelo?
– Por Wynna, o demônio! – Exclamou Liliel, surpresa – Ops, desculpa. – ela percebe o desnecessário grito, que acordou o homem que roncava sobre a mesa – Ele deve ter sido pego pelos guardas. Talvez esteja preso agora.
– Ou talvez não. – respondeu Skuld – Talvez ele tenha fugido quando o deixamos no quarto sozinho, para ir atrás de Armithayl.
– O quê? Que demônio? Contem-me mais sobre ele. – disse Skyrom, curioso.

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