Após muitas horas conversando na taberna, Skyrom se dirige ao taberneiro para pagar toda a conta, e também alugar quartos para que todos passem a noite. – Sairemos de manhã cedo, senhor. Então, que fiquem pagas todas as contas. E também fique com isso. – disse o paladino, entregando um dinheiro a mais para o taberneiro – Tu és um bom homem, nada melhor do que uma pequena gorjeta.
Durante a madrugada, todos revezavam a vigia, para a garantia da segurança. Hirohito era o que mais resmungava durante seu turno, muitas vezes acordando um ou outro. A vez de Skyrom terminou quando ele planejara que todos acordassem. Chamou aos outros, mas eles continuaram a dormir, pois se recolheram já na madrugada. Apenas quando o sol já estava batendo em seus rostos, todos lembraram que tinham que ter acordado cedo. Juntaram suas coisas e desceram as escadas apressados e desajeitados aos olhos do taberneiro, que tentava esconder o riso.
Quando saíram da taberna, perceberam que a cidade havia acordado antes deles. Os comércios já estavam todos abertos, e a feira estava quase tão cheia quanto no dia anterior. Enquanto caminhavam em direção ao castelo, reparavam na serenidade de Sambúrdia. Eram poucas as coisas que quebravam o clima pacato da cidade, como um ladrão de maçãs que havia sido pego pelos guardas. “Me ajudem, eu não estava tentando roubar aquela maçã!” Gritava ele, desajeitado, sendo carregado pelos braços por dois guardas. Liliel corre em direção a eles, aparentemente para ajudar o ladrão atrapalhado, deixando todos com uma grande interrogação no rosto.
– Belo dia esse, não? – disse ela para um dos guardas, quase correndo para acompanhá-los.
– Não vê que estamos carregando um ladrão, moça? Não se meta em assuntos oficiais! – respondeu o guarda, que nem sequer havia olhado para ela.
– Então, é sobre isso que eu queria conversar com vocês... – e antes que ela pudesse terminar, o guarda interrompe.
– Conversar? Você quer que o soltemos? Está junto com ele, não é? É amiga desse ladrão?! – grita o guarda, que pára de andar e se vira pra ela.
– Não, não é nada disso! Eu nunca sequer o vi na minha vida, mas tenho certeza de que ele não roubou nada! – disse ela, tentando persuadir o guarda.
– Então está dizendo que eu e meu parceiro estamos carregando este garoto injustamente? Quer dizer que somos mentirosos? – o guarda responde com um elevado tom de ironia.
– Eu estou querendo dizer – retrucou Liliel, abaixando o tom de voz – que pagaria o necessário para soltarem esse rapaz.
– Bom... Se deseja pagar a fiança desse ladrãozinho... Terá de pagar uma taxa de 100 moedas de prata para vosso rei! – concordou o guarda – Me dê o dinheiro que soltamos o garoto.
Liliel tira um saco de moedas da bolsa e joga para o guarda. – Aqui tem sua quantia. Agora por favor, solte-o! – disse ela, sorridente. O guarda pega o dinheiro com a mão que não segurava o ladrão e o guarda rapidamente. – Sambúrdia agradece pela sua colaboração! – disse ele, soltando o garoto e andando com o parceiro para longe deles dois.
– Se eu soubesse que seria tão fácil, eu tentava de outro jeito. – disse Liliel, que agora saltitava em direção ao grupo, que havia ficado pra trás.
– Oh, céus! Pelos deuses! Obrigado moça, obrigado! Como posso lhe agradecer? – disse o ladrão, quase não acreditando no que acabara de acontecer.
– Não precisa – disse ela, rindo – Faço isso por esporte!
– Oh, não, de jeito nenhum! Eu tenho que retribuir esse grandessíssimo favor que a senhorita me fez! Infelizmente não tenho ouro para lhe pagar, mas faço qualquer coisa! – disse ele, correndo desajeitado atrás dos saltitantes cabelos vermelhos, que agora se encontram com o estranho grupo de aventureiros.
– Que tal nos contar a sua historia, garoto? – disse Ruprest, que sai de trás de todos para falar com o rapaz.
– Que bom, que bom! Primeiramente – disse ele, entusiasmado – Eu não sou um “garoto”! Tenho dezessete anos de idade! Eu só não tive muita sorte na vida, como vocês tiveram. – agora ele parecia frustrado – Minha mãe e eu somos fazendeiros. Não grandes produtores, nada disso. Nós temos apenas uma vaca, e ela é o nosso sustento. Nós vendemos seu leite para poder comprar comida. Meu sonho é ser um grande aventureiro um dia, ter muito dinheiro e tirar a minha mãe da miséria.
– Se queres tanto ser um aventureiro – disse Skyrom – junte-se a nós! Vejo que tu serás de grande importância em nossa jornada. Afinal, qual é o seu nome?
– Meu nome é Janald, senhor! – disse ele, segurando a touca cor-de-abóbora que quase cai de sua cabeça – Apenas deixe que eu me despeça de minha mãe. Ela com certeza ficará feliz por isso! – o jovem samburdiano pulava de alegria.
– Vá. Vá e junte suas coisas. Encontre-nos na praça central em uma hora – informou Skyrom.
Um pouco mais a frente, após o jovem ladrão estar longe dali, Buryur pergunta:
– Por que o chamou? Não acho que ele seja de utilidade para nós.
– Você é inútil, e nem por isso eu quero... – a fala de Skuld foi interrompida pelo bardo, que ressaltou o pedido de Skyrom na noite anterior.
– Vençam suas diferenças, pela última vez!
– É verdade. Não podemos nos dar ao luxo de ter conflitos internos – disse o paladino – E respondendo a sua pergunta, anão, eu creio que ele será de grande importância. O treinaremos, e então ele irá conosco.
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